Como será o Treinamento no futuro?

João Paulo Coutinho

Primeiro é bom esclarecer que esse texto não é uma verdade absoluta, é apenas a descrição do que eu tenho estudado e visto já acontecer em vários lugares do mundo, incluindo aqui no Brasil. Eu sou um assumidamente apaixonado por treinamento e desenvolvimento e busco sempre entender como será o meu trabalho no futuro, ou como acredito, já deve ser no presente.

Muito tem se falado em fazer diferente e buscar oportunidades que ainda não foram exploradas. O que podemos dizer é que em 2018, mais do que nunca, estamos sentindo todas as influências de um contexto VUCA. As situações mudam a todo momento (Volatilidade). Estamos inseridos em um momento de grande incerteza, com dificuldade para desenhar cenários futuros, gerando assim erros de leitura, além de uma grande necessidade de ser cada vez mais ágil na tomada de decisão e na correção de rota quando os erros acontecem.

Todos os dias ouço que as ações serão cada vez mais Mobile Learning, com experiências que usam a Realidade Virtual, a Inteligência Artificial, Gamificação ou Vídeos Interativos. Isso de fato já acontece, seja pelo advento das novas tecnologias, pelo perfil dos profissionais ou pelas demandas variadas e metas astronômicas de performance. Mas não acredito que a sala de aula, o treinamento presencial irá acabar. A tecnologia será um meio.

Em uma conversa com o Diretor de Desenvolvimento de uma consultoria parceira, ele me questionou como eu acredito que serão as ações de T&D no futuro. Respondi exatamente o que compartilho com você nesse texto.

Acredito que depois de passar pelo quadro negro, pelo projetor de slides e pelas salas de aula com quadros digitais, chegaremos a espaços de aprendizagem onde todos os aprendizes discutem, compartilham suas ideias e experiências, aprendem e resolvem problemas juntos, tendo o apoio de um Facilitador de Aprendizagem, que atua como um facilitador do processo e não mais como um detentor do conhecimento. Diante desse cenário, penso que o que pode ser mais relevante quando falamos sobre Treinamento e Desenvolvimento é usarmos o espaço presencial para momentos de grandes experiências de aprendizagem.

Não dá mais para contar com respostas prontas. É preciso saber fazer as perguntas corretas. Certamente veremos cada vez menos os treinamentos com “7 passos para você líder, dar um feedback eficaz” ou “Técnicas de vendas”, e cada vez mais espaços de aprendizagem onde o facilitador perguntará: “José, como você dá feedback para os seus liderados? Aí então o José irá compartilhar com o grupo como ele faz e a Maria, ouvindo o José, irá explorar as possibilidades de aplicar o que pode fazer sentido no seu dia a dia”. Isso é um passo gigantesco, díficil e causa arrepios em diversos amigos que hoje ainda vivem como Consultores de Treinamento, como guardiões das respostas corretas. Acredite, ainda existem consultores que vão para as empresas com seus computadores cheio de slides com música e animações feitas no Power Point.

Os espaços de aprendizagem devem ser usados para compartilhas ideias e experiências entre os participantes. Isso causa pertencimento ao grupo. Como já disse nesse meu texto anterior, o papel do facilitador é fornecer ferramentas e criar condições para um ambiente onde aconteça interação entre os participantes, para que cada indivíduo seja construtor, protagonista do seu aprendizado. Não desconsidero aqui todos os estudiosos, técnicas ou teorias. Mas acredito que todo esse conteúdo pode ser disponibilizado previamente, seja nos dispositivos mobile, na intranet ou mesmo físico, como atividades de preparação, no chamado modelo ¨6D’s, desenvolvido por Calhoun Wick, Roy Pollock e Andrew Jefferson, otimizando assim a experiência em sala. Líderes podem aprender liderança ouvindo Mães, Chefs de Cozinha ou Gestores de Projetos Sociais. Você pode aprender Autoconhecimento visitando museus ou uma galeria de arte. Temas como Liderança e Comportamento devem continuar em sala de aula, mas é preciso investir cada vez mais nas atividades de preparação e transferência.

Como profissional de Treinamento e Desenvolvimento, como você tem construindo as suas ações? Você tem desenhado experiências completas, que valorizam o momento presencial e estão alinhadas com os objetivos da organização ou nos treinamentos que você realiza os participantes ainda ficam lendo a apostila e ouvindo um ser iluminado contar os segredos do que deve ser feito para atingir as metas e resultados esperados?

Perguntar para que?

Escrito por Helena Mihoko Miyahara

Quando você vê uma criança de 3, 4 anos perguntando por que isso, por que aquilo, o que você acha que ela está fazendo? Ela está descobrindo, desvendando o mundo que a cerca! Ela quer descobrir tudo, saber de tudo. Faz perguntas de genuína curiosidade, exploratória, que a deixa maravilhada pois a partir das perguntas desvendam os seus “mistérios”.

No entanto, após umas 10 perguntas, quase invariavelmente, o adulto que está respondendo chega num ponto que diz que é por que é e pronto. Chega de perguntas!

Perguntar

Frustrada a criança vai deixando de perguntar. Fica com este comando: chega de perguntas e a leva para a vida. A educação formal também reforçava muitas vezes este comportamento de não perguntar pois o papel do aluno, o sem luz, é o de simplesmente memorizar o que o professor considera ser importante que ele aprenda ou responda.

E agora José? E agora Maria? O mundo é cruel? Desaprendemos a perguntar e agora no mundo corporativo, no mundo profissional começam a dizer que a habilidade mais importante é o de fazer boas perguntas.

Hoje no contexto VUCA, onde tudo é Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo, as certezas são poucas. Pense numa coisa simples como a estrutura familiar. Há duas décadas, o que tínhamos como estrutura familiar era um pai, uma mãe e seus filhos. Hoje temos uma variação muito maior: família de dois pais, de duas mães, de casais de vários casamentos com filhos de vários parceiros, aumentando muito a complexidade destas relações.

Neste contexto em que vivemos, afirmações podem não responder e corresponder à complexidade e ambiguidade dos fatos. Uma boa pergunta, de curiosidade, de exploração pode ser muito mais eficiente para compreender o contexto. Talvez seja útil resgatarmos a qualidade de perguntador que um dia tivemos.

Mesmo quando pensamos nas lideranças, podemos afirmar que um líder de hoje deve saber fazer boas perguntas ao invés de afirmações. Hoje temos novas demandas quando pensamos em modelo de trabalho, modelo de gestão. Os processos estão cada vez mais inter-relacionados e interdependentes, gerando a necessidade das pessoas conversarem, trocarem informações e resolverem problemas de forma coletiva. Os verbos compartilhar, co-construir estão sendo conjugados com muito mais força e frequência. E as perguntas entram em cena novamente neste contexto, pois perguntar é uma das formas mais eficientes de acessarmos o conhecimento que está instalado no outro. Perguntas aproximam as pessoas, e as afirmações afastam as pessoas. Pense sobre isto.

Além de tudo, numa boa pergunta mora a boa resposta, a solução buscada.

Bora fazer perguntas!

 

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Helena Mihoko Miyahara é a atual presidente da WIAL Brasil, Action Learning Coach e Facilitadora de Treinamentos e Workshops.

Os desafios da primeira gestão

João Paulo Coutinho

Acredito que a primeira gestão é o momento de maior transformação na vida de um profissional. Este momento sinaliza que o indivíduo está evoluindo na carreira, assumindo um novo papel e novas responsabilidades. Alcançar sucesso nesse momento é importante e pode definir seu progresso na organização em que atua.

Encarar esse desafio é uma missão cheia de expectativas, tensões, emoções e mudanças que se fazem necessárias. São diversos os pontos de atenção, competências e habilidades exigidas que muitas vezes ainda não estão desenvolvidos nesse profissional. É preciso delegar tarefas com eficácia, além de administrar uma equipe enquanto cumpre suas diversas outras atividades.

O fato é que a maioria dos gestores de primeira viagem não assume a função com o preparo adequado para enfrentar desafios da gestão. Dado esse cenário, é fundamental garantir que esse profissional assuma o posto de líder com os recursos e capacitação necessários para formar e gerir um time de alta qualidade, além de trazer resultados para a empresa.

Quando o profissional é promovido ao primeiro nível de gestão, normalmente é porque ele se mostrou ser um excelente colaborador executando suas atividades de forma exemplar. O indivíduo na condição de “executor de tarefas” aprende a fazer o seu trabalho muito bem, se sentindo muito seguro no que faz. Passa a compartilhar conhecimento e experiências com os colegas e é nesse momento que ele se destaca como um potencial líder.

O novo gestor deve mudar o foco de executar as tarefas, para focar em pessoas, aprendendo a ouvir, resolver conflitos, delegar, formar e engajar sua equipe. É preciso antes de mais nada conhecer o time. O interesse deve ser genuíno em saber quem são as pessoas, tanto pessoal quanto profissionalmente. Ele precisa construir um relacionamento também com seus pares, mapear as redes de influência para entender como ele pode gerar sinergia nesse ambiente.

 “Gestores de primeira viagem precisam aprender como realocar seu tempo e a valorizar o novo trabalho. Devem parar de pensar em si para começar a pensar nos outros.” Ram Charan.

O novo líder precisa construir relacionamento com o seu gestor. Ele precisa de conselhos e orientações práticas sobre como alocar seu tempo da melhor forma para que gerencie o curto e longo prazo, priorizando suas atividades do dia a dia.

Se por um lado desenvolver essas habilidades é um desafio único e individual do profissional, por outro a empresa deve promover uma boa formação. Desenvolver a habilidade de gestão é primordial para garantir o bom andamento de resultados de uma organização. Se uma empresa conta com poucos recursos para desenvolver seus colaboradores, eu diria que esse recurso deve ser investido no desenvolvimento desse nível. Eles são os profissionais que levarão a organização rumo ao futuro, inspirando pessoas, promovendo rupturas e gerando resultados extraordinários.

6 dicas para aumentar suas chances de ser contratado

João Paulo Coutinho

Começo do ano é hora de planejar e pensar sobre o futuro. Em algum momento paramos para traçar as metas e objetivos para o ano que se inicia.  E uma das metas traçadas pela maioria dos profissionais é encontrar um novo emprego que traga um salário melhor, felicidade e estabilidade. Mas como se destacar no meio de uma multidão de profissionais que buscam recolocação ou que estão empregados mas tem o mesmo objetivo?

Nessa época vemos muita gente em busca de uma nova vaga e as empresas mais cautelosas em suas contratações. Não é a toa que a concorrência para uma recolocação está acirrada. Para se destacar dos demais, o preparo deve acontecer antes mesmo da entrevista. Ter foco, criatividade, pesquisar sobre a empresa e setor, fomentar o networking e usar alguns truques de postura e linguagem são atitudes essenciais para quem quer sair na frente na disputa. 

Abaixo vou listar algumas dicas para ajudar você a se destacar e conseguir uma recolocação já! 

    1. Trace onde quer chegar

Você já sabe aonde quer chegar? Antes de começar a disparar seus currículos, faça uma lista das 10 empresas em que você gostaria de trabalhar e busque as vagas disponíveis. Pesquise quais as exigências que elas fazem para o cargo que você deseja atuar. Caso você não se enquadre nos requisitos, faça cursos para se atualizar. Não fique dando tiro para todos os lados. Ter foco é fundamental! 

    2.  Use a tecnologia como sua aliada

Você usa bem as redes sociais? Faz relacionamento? Use a rede para fazer pesquisas sobre a empresa, para estudar e se atualizar. Tenha perfis relevantes nas redes sociais. Os recrutadores das melhores empresas pesquisam tudo que você posta na internet. Tenha perfis atualizados no Linkedin, Facebook e Twitter, sempre com conteúdo de qualidade. 

   3. Potencialize o networking

O networking tem se tornado cada vez mais importante na hora de conseguir uma vaga. Para promover uma rede de contatos estratégica e funcional, deve-se ir além dos amigos nas redes sociais. Vá a feiras e eventos onde pode encontrar os profissionais das áreas e empresas de seu interesse. Troque cartões, aja naturalmente e deixe a timidez de lado. 

   4. Treine, treine e treine

Essa parece uma dica boba, sem importância, mas você não sabe a importância dela. Durante a entrevista, o autoconhecimento terá um papel fundamental no sucesso ou fracasso do seu desempenho. Quanto mais você se conhece, mais tranquilo ficará durante essa parte do processo admissional. Um dia antes, treine no espelho falando sobre suas experiências profissionais, seus objetivos e suas perspectivas nessa empresa. Imagine que perguntas o recrutador pode te fazer e como você irá responder.

  5. Cuide da comunicação verbal e não verbal

Quando estiver frente a frente com o recrutador, não fale que você tem apenas interesse financeiro por mais que isso seja verdade. Demonstre preparo para atuar na empresa em questão. Sorria, chame o entrevistador pelo nome, mantenha postura e olhe nos olhos dele, principalmente ao cumprimentá-lo. Troque a palavra “problema” por “desafio”; “erros” por “aprendizado; e “fazer” por “ser responsável por”.

    6.  Seja criativo! 

Por último e não menos importante, use a criatividade! Ofereça soluções que não são esperadas. Aja por conta própria. Fuja do tradicional fazer e enviar currículos. Tenha liberdade para pular algumas etapas tradicionais. Que tal entrar em contato com quem deseja trabalhar e sugerir de tomarem um café? Lembre-se: o não você já tem. O máximo que pode acontecer é você não receber um retorno. Mas, com certeza, sua imagem e ousadia ficarão marcadas.

Espero que minhas dicas te ajudem a encontrar uma nova posição! Colocando em prática essas dicas, garanto que suas chances de ser visto e chamado para uma entrevista vão aumentar. Desejo sucesso nos próximos processos!