João Paulo Coutinho

Somos protagonistas de uma nova revolução industrial, na qual avanços como a Internet das Coisas, as mídias digitais, as novas tecnologias de armazenamento, o Blockchain e a Computação Cognitiva abrem novas vias para a eficiência e inovação empresarial. Esta onda de inovação tem sido chamada de 4ª Revolução Industrial, devido ao impacto de transformação em todos os níveis que conhecemos hoje.

O modelo de startup permite que uma nova ideia se transforme em um novo produto de forma muito rápida. Empresas como Netflix, Uber, AirBnB e Spotify revolucionaram suas industrias, criando e conquistando novos mercados que as empresas tradicionais até então não sabiam que existiam, ou simplesmente menosprezavam o seu potencial. O fato é que esses novos negócios ameaçam negócios muito antigos e estabelecidos, como contabilidade e direito por exemplo.

Estima-se que até 2020, todos os setores estarão sujeitos a serem transformados. E é por isso que tantos empresários, CEOs e diretores  estão correndo contra o tempo. No Brasil, grandes organizações estão buscando se preparar e transformar seus negócios para o futuro. Temos visto vários cases de empresas, que estão criando as suas próprias startups ou laboratórios de inovação. Recentemente em uma grande seguradora, que abriu a sua startup, ouvi do cliente: “Criamos a nossa startup para que ela possa “quebrar” ou comprar o nosso negócio. É melhor investir e viver este cenário, do que ser engolido pelo vizinho.”

O “X da questão” é que quando buscam a transformação digital, muitas empresas têm colocado seu foco na tecnologia, na presença digital, na forma de criar experiências e se relacionar com seus clientes, mas esquecem de colocar seus principais recursos nesta transformação: seus colaboradores.

As pessoas como motor de mudança

Transformação 1

São as pessoas que conduzem e tornam possível qualquer processo de mudança. É preciso envolver a equipe nos objetivos do negócio, para que os colaboradores interiorizem o sentimento de mudança e se sintam parte dela. Em qualquer metodologia que trabalhe Gestão de Mudanças, um dos principais pontos trabalhados são Pessoas.

A transformação digital verdadeira, acontece de dentro para fora. Estamos falando de levar uma empresa, de gestão tradicional, para o futuro, para um mundo de infinitas possibilidades, mas cheio de incertezas. E nesse contexto é preciso responder rápido as mudanças, ser flexível, adaptativo e aberto ao erro.

Durante o processo, é muito provável que se perceba que é preciso incorporar novos perfis ou aprimorar o talento de alguns membros da equipe.

As empresas precisam ajudar as pessoas a desenvolverem as habilidades necessárias para o mundo digital. No último artigo que escrevi aqui no meu site falei sobre as competências esperadas do profissional do futuro. E incluo que para a transformação digital, além dessas competências é preciso desenvolver propósito e a visão de futuro, impedindo assim que o medo domine as oportunidades, causando resistência a mudança e falta de entusiasmo para que ela aconteça.

A outra questão é a importância de se formar agentes de mudanças com coragem de questionar o status quo e ajudar os outros a saírem de suas zonas de conforto. Para encarar estes desafios sem frustração ou desistência são necessárias ferramentas e técnicas inovadoras, baseadas em lições aprendidas em campo e muito feedback.

A tecnologia mudou nosso mundo, mas não podemos perder de vista que empresas são formadas por pessoas e são elas que determinam o sucesso ou o fracasso de qualquer transformação. Ser pioneiro em tendências e em tecnologia, inovar e competir em mercados digitais não pode ser um objetivo por si só, mas deve ser o caminho para um novo contexto onde exista o diálogo, a transparência, a liderança distribuída, a experimentação e o aprendizado contínuo.